quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pagode baiano... como fazer!

Mergulhamos fundo nas entranhas do pagode baiano para desvendar os mecanismos semióticos-filosóficos que norteiam o trabalho musical desses artistas.

1. Escolhendo um tema.
Invariavelmente o tema é sexo. Em suas mais diferentes posições, modalidades, práticas e rimas. O pagode é uma espécie de Kamasutra musical.

2. A ciência da repetição.
Estudos antigos mostram que a origem de todos os mantras budistas é o pagode. Nada consegue ser tão repetitivo quanto um pagodeiro, nem o Raul Gil no “Pra quem você tira o chapéu?”. Repita o mesmo verso algumas vezes e o sucesso sairá na mesma medida (os casos de surdez também).

3. Contagem das onomatopeias.
O sucesso de um pagode é diretamente proporcional ao número de onomatopeias que ele usa.

4. Complexo de Édipo.
Todo pagodeiro está amparado na mitologia grega. Fato atestado pelo próprio Freud, que estudou vários casos de pagodeiros com complexo de Édipo. Isso explica que em toda música tem sempre um “vem, mainha” ou um “mexe gostoso, mamãe”.

5. Senso de direção.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo pagode. É preciso indicar o tempo todo pra que lado devemos ir. Exemplos: “mãozinha em cima, prum lado e pro outro…”. Ou ainda “vai até o chão, desce, sobe pra mim, agora vai de ré, vai de ré, vai de ré…”.

6. Impulsividade.
Pagode que é pagode quer sempre superar obstáculos (”olha a quebradeira…”), abrir caminhos intransponíveis (”é pra descer quebrando…”), explorar novos horizontes como quem leva progresso a uma floresta virgem (”se segura que lá vem madeeeeeeira…”).

7. Praticidade nominal.
Pagodeiro não tem nome, tem apelido. Keka, Julinho, Teta, Deco, Pepê… você nunca vai ouvir Ariosvaldo Bezerra tocando pagode ou Julimar da Silva Conceição em cima do trio (na verdade, você nunca vai ouvir os dois cantando nada, né? Com um nome desses…).

8. Visão mítica da mulher.
O pagodeiro vê a mulher como um ser superior, para a qual o prazer transcende qualquer coisa. Por isso, todas elas são ninfomaníacas (”ela pede, ela gosta, ela quer toda hora…”), onipresentes (”olho de Thundera, tá ligada em tudo…”) ou uma espécie de homo superior, uma mutante que resiste a qualquer tipo de sofrimento sem reclamar (”esfrega a chana no asfalto…”).

9. Variação semiológica
Depois de Saussere, ninguém mais contribuiu para a evolução da Língua quanto os pagodeiros. Inovador, o pagode busca sempre enriquecer nosso vocabulário, com novas e intrigantes expressões. Ex.:”Patungurungudum, dum, dum…”. Ou ainda “uisminofai ou dinokisiui
uisinouou ou dinokisibaui…”.

10. Pense grande.
Segundo a máxima do jornal Estado de São Paulo, o pagode pensa ÃO. Por isso, quase todos os refrões terminam dessa forma. O batidão do pagodão sacudiu o coração, foi quebrando até o chão pra descer na contramão no swing do arrastão… entendeu, negão?

Copiando descaradamente do Patavinas

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